© 2012 otempodosassassinos. All rights reserved.

Aliağa

 

A mensagem era explícita: “Quando virem o grande painel Tüpras, caminhem até ao final da rua. No portão peçam para chamar por mim.”

 No portão o segurança está armado com uma metralhadora. Pedem-nos os passaportes e, em troca, recebemos dois cartões de identificação. O segurança armado ensaia um teatro divertido sobre o que acontece se os perdermos. As nossas botas estão cobertas de lama seca e o nosso turco é motivo de galhofa. Eles estão tão estupefactos como nós.

A Selen trabalha numa empresa petrolífera e, descobrimos incrédulos, vive precisamente dentro do complexo da maior refinaria da Turquia. É como uma pequena aldeia cercada de arame farpado e com postos de controlo intimidatórios em todas as saídas. Têm restaurantes, supermercados, um ginásio e até uma piscina. O plano de evacuação exige as chaves sempre nas portas, das casas e dos carros, e o teu colega de trabalho é o teu vizinho da frente.

Ontem, tomámos banho à luz de velas e com um balde de água aquecido a lenha. Aqui, a electricidade e a água são gratuitas e não se conhece moderação nos usos domésticos.

Vem-nos à memória a música e as palavras “this is the strangest life i’ve ever known”. Não Jim, a nossa é que é.

2 Comments

  1. Rita Rodrigues

    Quase que nos fazes viajar contigo Filipa!
    Adoro a forma como escreves, já me fizeste dar umas boas gargalhadas…
    Beijinhos

  2. Nuno Rodrigues

    Ando a acompanhar o blog…e estou a adorar. Muito bom mesmo. Abraços

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.
Required fields are marked:*

*

*