Adiós Espanha, Vive la France

Levantei campo em Espanha, pus-me à estrada e começa da chover. Sinto saudades… A madalena faz-me companhia – sugere-me que vá pelos baixos pirinéus e acedo. Estou farto de vias rápidas e adoro montanha.

Um momento de pausa nos baixos Pirinéus
A chuva fica mais forte à medida que subo. Abasteço num posto que julgo ser o último antes de entrar em França.
Chove tanto, tanto que nem dou porque entrei em França. Foi a mudança do lettering da sinalização e a seguir as matrículas dos carros que percebi que passei a fronteira.

Foi um dia de chuva, sempre chuva e por isso poucas ou nenhumas fotos.
Chega a noite vem o stress de procurar um local para pernoitar: um bosque, um caminho em terra batida que se afaste da estrada principal são os meus preferidos…
Hoje fico ao lado da estrada. Já estava escuro e não encontrava muitas opções…
Choveu toda a noite. No dia seguinte arrumo a tenda à chuva, toda molhada. Arrumo tudo no saco e, reparo que deixei as fitas de prender o saco dentro da tenda! Toca a desmontar tudo, abrir a tenda, recuperar as fitas e arrumar tudo outra vez. Enfim, pode acontecer a qualquer um…
Ouço um barulho estranho… passa uma ambulância, passa outra e eu faço-me à estrada. Uns metros à frente um carro saiu dos limites do pavimento e tinha capotado… não me pareceu haver feridos graves e o carro talvez até pudesse sair dali a andar!

Depois de extensas florestas e campos cultivados de cereais eis que chego ao meu destino.

Lézinnes – uma pequena vila no interior de França.

Esta região é conhecida pelos seus vinhos – o vinho de Chablis. São hectares e hectares de vinhas e cereais. É bonito.

De Inverno, para não perderem a colheita acendem pequenas lanternas a gasóleo e distribuem-nas ao longo das vinhas para aquecer o ambiente e evitar a geada.
Os campos de vinhas, pela noite ficam iluminados como se fossem presépios, deve ser surreal!

O canal de Bourgogne que atravessa Lézinnes tem 242 Km, foi feito, à semelhança do canal do Midi, pela mão do homem e permite distribuir matérias primas e alimentos entre as povoações. Tem árvores ao longo do percurso para fazer sombra aos animais que puxam os barcos.
Ao longo do percurso tem diversas eclusas para que os barcos possam subir ou descer o rio.

Canal de Lézinnes
No espaço onde fiquei, e onde os meus tios são caseiros, existe uma casa burguesa que foi ocupada pelas nazis durante a guerra.
Visitei-a, é imponente!

Casa burguesa em Lézinnes
Contam que, aquando da ocupação destas terras, obrigaram o dono a sair de casa para fazerem ali quartel general da região. Como o dono não cedeu foi encostado a uma árvore e fuzilado ali mesmo!
Diz o meu primo que um seu amigo electricista há uns anos atrás aproximou um detector de metais da árvore e que este apitou um diversos locais à altura do peito e assim foi corroborada a história.

Nesta região foi batido o recorde do TGV, se não estou em erro, em 1981. O azul é da linha do Atlântico e o laranja, o primeiro, serve o interior.

Troyes é a capital das fábricas das principais marcas de roupa francesa.

Casas de Troyes
Em 1524 metade da cidade ardeu porque as casas eram feitas em madeira e adobe.

Vista da praça central
Aqui começa também a grande região de champanhe. Há champanhes que ficam em caves por mais de 20 anos e cada garrafa custa mais de 500€!

Fiquei aqui a tarde do dia que cheguei e o dia seguinte, mimado pela família e pela curiosidade da descoberta de uma aldeia tão pequena com tanto tema de interesse.

Saio no dia seguinte com a ideia de ficar na Bélgica. Entro no Luxemburgo pela auto-estrada direito à capital onde dou umas voltas para conhecer.

Aldeia no interior do Luxemburgo
Meto por estradas interiores, atravesso o Luxemburgo num ápice, com paisagens verdes que alteram entre campos agrícolas e florestas e rumo à Bélgica.
Cansado, pergunto à madalena quanto tempo até Bruxelas e quanto tempo até Amsterdão – 1 hora de diferença! Vou para Amsterdão, paciência… não é a primeira vez que venho a Bruxelas, fica para a próxima!

Album de fotos: Espanha, França, Luxemburgo.

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