packet radio – onde estamos?

No final dos anos 80 contruí um TNC 2, para 1200 bauds e outro para 9600. Comprei os PCB a um colega e os componentes no mercado.

Pequenos computadores, equipados com o processador Z80, estes TNC (Terminal Node Controler), ligados a um transceptor de VHF/UHF, possibilitavam a comunicação em packet AX.25, para QSO entre estações, a transmissão de pequenas imagens e ficheiros, e dispunham de uma pBBS (personal BBS) que indicava quando era recebida uma mensagem na mailbox!

Uma década depois o packet foi perdendo adeptos, para a recente Internet que se insurgiu com velocidades cada vez maiores… o princípio era o mesmo mas com o protocolo X.25, onde o cabeçalho dos pacotes em vez do indicativo de amador levava os endereços de ligação ponto a ponto.

No final dos anos 90, surgiram projectos como a FBB e o BPQ32 que podiam funcionar stand alone ou integrados com a própria Internet – apareceram as primeiras comunicações digitais de dados, para os mais familiarizados com o que se faz actualmente com o VoIP (voz sobre IP) nas tecnologias D-Star, DMR e recentemente com a Fusion.

O packet recebeu um novo impulso com o interesse da comunidade de rádio-amadores pelo APRS, um sistema inicialmente utilizado para dar a conhecer a geolocalização, permite hoje o envio de mensagens, informação da frequência de voz, comunicações de emergência, consultas ao QRZ, envio de e-mails e, que equipam já um conjunto de rádios móveis e portáteis pelas diversas marcas onde alguns incluem também GPS.

Continua a ser amplamente utilizado em comunicações de amador via satélite, para receber os dados de telemetria, a retransmissão de pacotes por digipeating ou APRS.

Muitos destes equipamentos oferecem o modo KISS, um terminal de packet simples, que pode ser utilizado por software terminal, são exemplos o linpac para linux, uma estação terminal completa em todo idêntica ao TNC 2 ou, sistemas como os que referi – FBB e BPQ32.

Para facilitar tudo isto, hoje é possível construir uma BBS com FBB ou o BPQ32 por menos de 40€ com recurso ao Raspberry Pi 3 (hardware), ao modem Dire Wolf que emula a placa de som, e ao sistema de packet radio com terminal, BBS, node, APRS, DX cluster, e chat (software) que integram com KISS… tema do próximo artigo.

Digipeating de APRS com novos padrões

As convenções de APRS estabelecidas décadas atrás já não servem o número de utilizadores e o tráfego actualmente existente, gerado por digipeaters e equipamentos obsoletos que duplicam os pacotes enviados às iGates ocupando a banda desnecessariamente.

Não esquecer que o principal objectivo do APRS é informar os utilizadores da rede da geolocalização de cada estação de rádio ou dispositivo. É desnecessário por isso utilizar métodos que retransmitam o beacon diversas vezes sobre tudo quando o sinal já foi escutado por uma iGate e disponibilizado à rede.

No entanto, é importante a existência de digipeaters para garantir que os pacotes de dados de APRS cheguem à iGate. Apesar de utilizarem o AX.25, estes pacotes de APRS podem ser comparados a uma transmissão de broadcasting não havendo qualquer protocolo para garantia de uma boa recepção. Se forem escutados e chegarem correctamente são retransmitidos e, eventualmente chegam a uma iGate.

A rede de APRS na Europa funciona nos 144,800MHz a 1200 bauds, FM, em modo simplex e, em satélites adoptou-se os 145,825MHz à semelhança da ISS.

Normalmente a rede de APRS de RF é suportada por clubes de rádio-amadores, ou por equipamentos TNC, raspberry pi ou computadores a correrem FBB ou BPQ32 entre outros, em estações de amadores…

Para resolver este paradigma, de congestionamento da rede, eliminaram-se as nomenclaturas de RELAY e WIDE, alterando-se para caminhos do tipo WIDEn-N, onde o primeiro “n” representa o número de saltos desejados e o segundo “N” o número de saltos restantes, valor decrementado por cada digi que retransmite o pacote. Evita-se assim que o pacote de RF percorra o país gerando tráfego desnecessário!

Glossário:
Digipeater – uma estação que retransmite pacotes de AX.25 identificada por um indicativo no máximo de 8 digitos
iGate – gateway entre a rede de APRS de HF, VHF e UHF e a Internet

Referências:
APRS Protocol Reference

Manual de Packet

Demos mais um impulso na estação de packet instalada na ARLC, algo que mesmo à 20 anos atrás nunca tinha experimentado – o envio de uma mensagem em packet radio para outro país, para outro continente! Está descrito no manual no tópico “5.11.4. Envio de uma mensagem da sua pBBS para outro colega WW”

Entretanto o Renato, pelo seu envolvimento no projecto do novo satélite português, que deve ser colocado em órbita já para o ano que vem, tem vindo a estudar e melhorar as comunicações a 9600 bauds entre a sua estação CS5CEP e a ARLC – CQ0PCV.

Adicionámos, como já disse num post anterior, o registo de estações em APRS na área de cobertura da estação de packet, por agora em 144,900MHz e 432,500MHz, estendido também a Cascais pelo Digi de CT1EBQ, para pedidos WIDE1-1, WIDE2-1.

Está em fase de projecto, a partilhar mais tarde, um modem em AX.25 com Raspeberry Pi totalmente independente e operacional que poderá trabalhar em 300, 1200 e 9600 bauds.
Irei dando notícias…
73, de CT1EBQ